Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros

Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros.

INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar temos um país com uma grandeza continental, de acessos terrestres, aquaviários e aéreos. Acima de tudo os meios de transporte, com toda certeza são de vital importância para alcance de várias localidades brasileiras. Sobretudo na realidade do Brasil a predominância no transporte de passageiros se alternam:

Ônibus: A saber que cortam inúmeras estradas brasileiras, desde as mais modernas até aquelas que são sinônimo de aventura.

Aviões: Certamente é o meio mais rápido para chegar em inúmeros destinos, inclusive alguns que não possuem acesso rodoviário.

Desta maneira esta publicação visa analisar a concorrência entre os dois modais de transportes com maior predominância no Brasil. Trata-se de uma reprodução de um trabalho de conclusão de curso em Turismo, pela Universidade de Sorocaba, publicado em 2005. Atualmente esta publicação visa um embasamento teórico de que empresas de ônibus e companhias aéreas sempre melhoraram em prol do passageiro. Em vista disso o título do trabalho é:

SÃO PAULO – RIO DE JANEIRO

DESLOCAMENTOS RODOVIÁRIO E AÉREO

DISPUTA NA PREFERÊNCIA DO TURISTA

Só para ilustrar, logo abaixo há um pequeno esquema, para uma melhor diferenciação entre os dois modais de transporte. Apesar de ser um esquema montado em 2005 o mesmo serve para ilustrar nossa temática:

CAPÍTULO 1 – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. O Começo

Antes de mais nada é importante é pertinente saber, de forma genérica, o conceito de concorrência, que é definido como :

Também chamada livre concorrência. Situação do regime de iniciativa

privada em que as empresas competem entre si. Nessas condições, os

preços de mercado formam-se perfeitamente segundo a correção entre

oferta e procura, sem interferência predominante de compradores ou

vendedores isolados. Os capitais podem então, circular livremente entre os

vários ramos e setores, transferindo-se dos menos rentáveis para os mais

rentáveis em cada conjuntura econômica. (WIKIPÉDIA, 2005)

Só para exemplificar, neste esquema abaixo é uma retrospectiva, do mercado aéreo e rodoviário até 2005:

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Retrospectiva das pontes aéreas e rodoviárias
Ao mesmo tempo aprofunda-se sobre a questão principal da postagem: Bastidores da concorrência entre empresas de ônibus e companhias aéreas; Segundo Palhares, o autor previa um real disputa entre os modais no seguinte trecho abaixo:

Para o turismo brasileiro realmente crescer, a sociedade terá que incentivar de uma forma ou de outra o transporte aéreo de baixo custo (ou mesmo o charter). Isso porque, além do poder de compra do brasileiro ser baixo, os vôos com baixa tarifa passam a competir com o transporte rodoviário, com a vantagem de ser bem mais rápido, o que, em última instancia, permite a possibilidade de viagens de curta duração, tais como em finais de semana prolongados, ou mesmo dividir as férias em mais de um período consecutivo. (PALHARES, 2002, p.154)

Sob o mesmo ponto de vista o primeiro aspecto desta concorrência a ser considerado, é o passageiro. Nesse meio temo, recorremos a um case da GOL Linhas Aéreas que almejava entrar no mercado baseado nesta realidade:

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Mercado aéreo antes da vinda da GOL
CAPÍTULO 2 – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. Começo da disputa pelo passageiro.

Surpreendentemente para conquistar passageiros, um grupo de companhias aéreas que operam no trecho Rio – São Paulo, entram em concorrência. Em 1998 operavam as hoje extintas VASP, VARIG, Rio Sul e TRANSBRASIL e a vigente LATAM (na época TAM). De acordo com fato daquele ano, comprovado nesta transcrita:

O passo inicial foi dado pela TAM, que reduziu suas tarifas em 27%, baixando-as do patamar de 158 reais (preços correntes de 1998, refletindo apenas a ida) para 119 reais. No dia seguinte à decisão da TAM, uma outra empresa regional, a Rio-Sul, prosseguiu com a redução de tarifas, levando-as para o valor de 115 reais. Com a redução de preços promovida pelas regionais, coube ao antigo pool, da ponte aérea decidir qual decisão de curto prazo tomar com relação à sua própria tarifa. Foi a vez das empresas nacionais do pool, então promoverem a redução de 158 reais para 115 reais, naquele mesmo mês.

Em maio do mesmo ano, e logo após o anúncio da saída da VARIG do pool de empresas, para formar a sua própria aliança com sua subsidiaria Rio-Sul, novamente a TAM entra em ação, divulgando o lançamento de uma estrutura de três tarifas (119,99 e 79 reais). A essa ação estratégica segui-se a implantação do sistema de tarifas discriminadas pelas empresas restantes no pool (VASP e TRANSBRASIL), com cinco tarifas (113, 97, 81,73 e 65 reais), em setembro de 1998. (Palhares, 2002: 128).

CAPÍTULO 3 – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. A disputa pelo passageiro se acirra.
Diante disso a reação das empresas de ônibus foi dada pela Viação Itapemirim, que opera o trecho rodoviário São Paulo – Rio. Consequentemente em 1999 a empresa lança um outro novo conceito para o mercado: Serviço Semi-leito (denominado Golden Service):

Características do serviço: Agrega o conforto do Leito com uma tarifa econômica do Executivo

Diferenciais do serviço:

  • Poltronas com capacidade de 42 lugares com maior espaço entre elas e com reclinação maior

  • Possui serviço de bordo do tipo self-service, com água mineral, café e lancheira (biscoitos, torradas, geléia e bombons)

  • O maior atrativo deste novo serviço era a exibição de filmes durante a viagem num telão de 45 polegadas. De maneira idêntica de quem viaja de avião a Itapemirim foi a primeira empresa de ônibus do Brasil a disponibilizar o serviço.

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Serviço GOLDEN da Viação Itapemirim S.A Fonte: Fonte: www.google.com.br/imagens
Em seguida, no ano de 1999, a TAM Linhas Aéreas (Atual LATAM) recebe os primeiros lotes de aeronaves modelo AIRBUS A-319. Este ocorrido fez com que ofertasse um serviço ainda mais diferenciado ostentado pela companhia aérea. Assim também é bom ressaltar os opcionais que esta aeronave possuía na época:
  • Telas de vídeo individuais que passam vídeos de conteúdo próprios

  • Canais de áudio acionados no braço da poltrona.
CAPÍTULO 4 – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. Disputa no próprio setor rodoviário.
Em virtude dos serviços sofisticados ao setor aéreo, a Viação 1001 Ltda. lança no mesmo ano ao serviço Double Class:

Características do serviço:, Nada mais é que a adoção de dois serviços num ônibus de dois andares. No piso inferior encontram-se serviço leito, num salão reservado e na parte superior encontra o serviço executivo no padrão executivo.

Diferenciais do serviço: No serviço leito oferecia água mineral, café e kit -lanche e apenas seis poltronas e no piso superior são 40 poltronas.

A princípio este serviço demorou para ser disponibilizado para seus passageiros:
  • Foram inúmeras tentativas da Auto Viação 1001 para entrar na rota rodoviária São Paulo – Rio de Janeiro.

  • Na segunda metade da década de 90 a empresa recebe autorização para operar a linha Niterói (RJ) – São Paulo (SP), mas não parava na cidade do Rio de Janeiro

  • Haviam intenções da empresa de obter paradas na rodoviária do Novo Rio no Rio de Janeiro, tanto para embarque como para desembarque.

  • Esta escala experimental na rodoviária do Novo Rio teve repercussões em âmbito judiciário, ingressado por um “pool” de empresas. Este aglomerado de empresas era formado por Itapemirim, Cometa e Expresso Brasileiro. Dessa maneira a 1001 viu-se obrigada a suspender a seção na rodoviária do Novo Rio da linha Niterói – São Paulo.

Por mais que a 1001 não foi autorizada a embarcar/desembarcar na rodoviária do Novo Rio, a mesma teve novas estratégias:
  • Instalação de uma Sala de embarque nas proximidades da Rodoviária Novo Rio. Certamente um ótimo atrativo ao passageiro.

  • Realizava o trajeto Rio – São Paulo em aproximadamente 5 horas e sem paradas. Salvo quando a linha pega congestionamento nos grandes centros. 

  • Oferecia lanche e bebida a bordo todas as vezes que o passageiro opta-se pelo serviço leito. A empresa sempre disponibiliza ônibus modernos com ar-condicionado.

  • Até hoje a empresa constantemente inova com serviços diferenciados na rota Rio -São Paulo
Com efeito das várias tentativas de entrar legalmente na ponte rodoviária, a 1001 consegue em julho de 1998 sua grande chance:
  • Compra de dois horários da Viação Cometa, que posteriormente seria comprada pelo Holding que controla a Auto Viação 1001. 

  • Em 1999 a Auto Viação 1001 inova o setor disponibilizando uma maior oferta de horários do serviço Double Class.

CAPÍTULO 5 – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. A disputa alcança seu ápice.

Por certo, no ano de 2000 seria marcado pelo advento da GOL Linhas Aéreas no mercado aéreo que seria sentido no setor rodoviário. Em reportagem a Revista VEJA, em 2002 a repórter Thaís Oyama extrai uma informação que virou marco para o transporte de passageiros. Seu entrevistado era o senhor “Nenê Constantino”, dono da maior frota de ônibus do Brasil e criador do GOL:

Quando os Boeing de Nenê estiverem no ar, ele vai continuar com as botinas fincadas no chão e, grudado na filosofia de custos reduzidíssimos, não pretende servir um mísero pão de queijo a seus passageiros. A ideia é que esse trem voador seja barato, não chique. Sô. (OYAMA, 2002, p.107)

Antes de tudo de analisar o impacto da entrada da Gol, damos uma leve retrospectiva sobre a companhia aérea:

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Cronologia GOL
O impacto na Gol Linhas Aéreas foi sentido tanto no setor rodoviário, assim como no aéreo, conforme informações abaixo:
  • Cada vez mais companhias aéreas tradicionais foram perdendo clientela e as no ramo seguiam a mesma tendência.

  • A reação do advento da companhia aérea foi dado inicialmente pela extinta Rio-Sul. Não apenas respondeu a GOL como também reduziu suas tarifas.

  • A companhia aérea lançou uma campanha publicitária no final de 2001, distribuindo uma fita métrica para cada passageiro embarcado. O objetivo desta companhia certamente era para o passageiro certifica-se da medida entre as poltronas.

  • A GOL com suas aeronaves com capacidade de 144 assentos, a Rio-Sul com suas 120 poltronas. Esta diferença de 24 poltronas sem dúvida faziam a diferença em relação ao conforto para ao cliente.

CAPÍTULO 6 – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. Não só empresas de ônibus entraram na disputa

Em contrapartida o setor rodoviário veio através do Terminal Rodoviário do Tietê em São Paulo, administrado pela concessionária Socicam. Se bem que em reportagem a Veja São Paulo, eles divulgam sua resposta ao advento da companhia aérea:

A reforma custou 14 milhões de reais e foi a saída encontrada pelo consórcio para tentar conquistar novos clientes. Na última década, o movimento caiu pela metade. Entre as causas estão o crescimento do transporte clandestino e a redução dos preços das passagens aéreas. Em 2001, a empresa aérea GOL tinha vôos a partir de 76 reais. Para ir de ônibus-leito, gastando um tempo dez vezes maior, o passageiro desembolsa por volta de 49 reais. (FRANÇA, 2002, p.11).

Posteriormente em 2002 seria só o começo de uma disputa entre companhias aéreas e empresas de ônibus. Houve uma intervenção governamental, e no trecho abaixo ilustra como pode beneficiar um setor e prejudicar o outro:

O mesmo quadro se observa em relação a infraestrutura necessária para a operação dos sistemas. Atualmente estão sendo gastos para infraestrutura aeroviária R$300 milhões no aeroporto de Recife, R$200 milhões no de Brasília, R$150 milhões no de Congonhas, São Paulo, entre outros projetos em andamento, para os quais não tem faltando recursos.

Porém, a situação muda radicalmente quando se trata do setor rodoviário. Nos últimos anos, não se sabe de um único centavo oficial investido na melhoria dos terminais rodoviários, Quanto às estradas, faz anos que elas entraram em processo de degradação. (ABRATI, 2004, p.12).

Sem dúvida houve uma diferença de tratamento governamental entre companhias aéreas e empresas de ônibus, conforme trecho transcrito. Ainda que foi um fato que influenciou ainda mais a disputa entre ônibus e avião, não é nada perto do que estava por vir.

CAPÍTULO 7 – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. O impacto de uma promoção.

No ano 2004, tivemos os anúncios de passagens aéreas a R$50,00 (cinquenta reais) para qualquer parte do Brasil. O Departamento de Aviação Civil (D.A.C) determinou que a “promoção” (segundo o D.A.C) fosse interrompida, requisitando as planilhas de custos. O órgão regulador do setor aéreo precisou avaliar se as companhias aéreas tinham condições de praticar tais preços anunciados.

Depois que guerras tarifárias e dos incentivos governamentais interferissem no setor rodoviário de passageiros algumas estratégias foram tomadas. Como resultado destas mudanças grandes serviços foram disponibilizados para os passageiros:

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Otimização do transporte rodoviário – Adaptado pelos autores, baseando em Palhares e Revista CNT

Nos primeiros meses do ano de 2005, uma nova investida da GOL Linhas Aéreas. Para melhor exemplificar o acontecimento usamos uma das manchetes do Jornal Folha de São Paulo, do dia 08 de marco de 2005:

GOL reduz preço e pode abrir guerra tarifária

Empresa diz querer consolidar imagem de oferecer as menores tarifas; Varig responde com descontos na Páscoa. (PRADO, 2005, B5).

Os motivos pelos quais a GOL optou pela esta iniciativa de reduzir seus preços, em até 56%, por causa de:
  • Em primeiro lugar uma adequação à filosofia de baixo custo e baixa tarifa (low cost, low fire). Ainda que este modelo seja seguido até hoje no setor aéreo.

  • Em segundo lugar uma reestruturação tarifária. Esta queda de preços foi sentida na ponte aérea Rio-São Paulo que no preço da época.

  • Em terceiro lugar só de ida ou volta, de R$175,00 saia para R$112,00. Enquanto suas concorrentes eram de R$366,00 da VARIG e R$238,00 da TAM.

  • Para embasamento destas reduções de custo, cita-se entrevista do presidente da empresa ao Jornal Folha de São Paulo:

Nos reduzimos os preços das passagens ao mesmo tempo em que apresentamos as melhores margens operacionais do mercado, e as pessoas dizem que fazem concorrência predatória. É um absurdo isso.” (FOLHA DE SÃO PAULO, 2005, p. B2).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS – Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros

Em resumo tivemos um vasto e risco conteúdo demonstrando os bastidores da concorrência entre ônibus e avião. Atualmente as promoções anunciadas na televisão ou internet tem um contexto histórico contato nesta postagem. Este trabalho de conclusão de curso foi um instrumento de pesquisa norteador de uma realidade de mercado de 14 anos atrás. Com toda a certeza as fontes das informações são seguras e confiáveis.

Semelhantemente aos dias atuais muitas situações parece que repetem, como intervenção do governo e guerras tarifárias. Por vezes empresas de ônibus e companhias aéreas inovam com novas tecnologias como por exemplo os APPs disponíveis em diversos sistemas operacionais. 

Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros. A história por trás das promoções de passagens de ônibus e avião.

2 comentários em “Ônibus ou avião? Bastidores do setor rodoviário e aéreo de passageiros

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